| O Educador da Educação Infantil |
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| Educação - Pedagogia |
| Escrito por Clarisse Macedo Gonçalves Pereira |
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Resumo: Este
artigo trará uma breve e geral explanação sobre o modo de perceber a
educação e a integralização com a criança dentre esse meio educacional
durante os tempos, a relação de teoria e prática que cada professor
devera ter na educação infantil, os aspectos de como devera ser a
formação desse profissional docente, evidenciando sua importância no
âmbito escolar. Também, a relação do orientador educacional nesse nível
de educação.
Palavras-chave: Educação, educação infantil, criança, educador, formação, orientador educacional.
1- INTRODUÇÃO
De
início faz-se necessário pontuar alguns significados sobre a educação.
Sendo então, de extrema importância, relembrar o que é a mesma.
Educação, em curtas palavras e, de fácil entendimento consiste no ato de
educar, que nada mais é que, preparar novos indivíduos a partir de
princípios morais, esses aliados ao limite e a liberdade, os quais
servirão como estrutura comportamental para novas descobertas, bem como
no auxílio do desenvolvimento pessoal, emocional e social de cada novo
ser humano.
Visto
que em tempos remotos, as crianças eram percebidas como um adulto em
miniatura, ou seja, o brincar não se conhecia, porém o trabalho era
aprendido e exercido desde então, mudanças nesse contexto ocorreram a
fim de possibilitar e afirmar a criança como tal, isso quer dizer que o
trabalho faz parte das atividades de um adulto, e que o brincar e o
estudar, além de importante, salientara as necessidades desse pequeno
ser.
Desde
então, teóricos mantêm suas pesquisas e aperfeiçoamentos ativos, para
que cada dia essa diferença entre criança e adulto seja evidenciada por
todos.
E,
como a teoria sempre existiu e existirá para que a sociedade compreenda
o modo em que vivem e, possivelmente o que viverá num futuro próximo, a
prática, por sua vez, sempre se encontrara relacionada à primeira.
Portanto,
referenciais teóricos fundamentam sim a prática diária de cada
professor, que devera, mas nem todos vão em busca de definições sobre
formas de intervir no modo de percepção infantil.
Compreender
o tempo e o espaço da criança vai além da teoria. A prática de cada
educador se faz a cada novo amanhecer, convivendo com novas situações.
Dessa maneira, concretizando vai-se a prática, por assim dizer, do
professor na escola.
Cabe
comentar que, apenas entrar em sala de aula e seguir uma cartilha não
se efetiva, de fato, um processo educativo. Esse último se dá de forma
contínua, entre educador e educando, avaliando e reconstruindo saberes.
Fazer uso do diagnóstico do conhecimento prévio do aluno direciona os
meios pelo qual o professor deve partir para chegar aos fins. Contudo,
saber o que o aluno sabe não garante que um novo aprendizado tenha sido
internalizado por parte desse.
O professor deve refletir constantemente sobre o seu papel. Nesse sentido, Freire, (1996, p.43) afirma que: “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a próxima prática.”
Até
algum tempo atrás se acreditava que, quando terminado o magistério e/ou
mais recentemente a graduação, o profissional docente estaria apto para
atuar na sua área o resto da vida. Atualmente a realidade é diferente.
Este deve estar consciente de que sua formação é permanente, e é
integrada no seu dia-a-dia nas escolas.
O
professor não deve deixar de ter o gosto pelo estudo, pela leitura,
senão não irá conseguir transmitir esse gosto para seus alunos. O professor que não aprende com prazer não ensinará com prazer.
São
grandes os desafios que o profissional docente enfrenta, mas manter-se
atualizado e desenvolver práticas pedagógicas eficientes é o primordial.
A formação continuada se dá de maneira coletiva e depende da experiência e da reflexão como instrumentos contínuos de análise.
É
nesse contexto educacional, de múltiplas relações, que o professor
tornar-se-á ao mesmo tempo formador e formando, pois ao mesmo tempo em
que está exercendo seu papel em uma sala de aula, está, também, em outro
dado momento, em outra sala de aula, (re) construindo novos saberes.
2- A CRIANÇA
No
Brasil, a Educação Infantil, apesar dos avanços conceituais e legais no
âmbito da garantia de direitos, ainda padece de uma informalidade que
pode e dever ser transformada.
Educar
crianças é tarefa exigente, demorada, e requer uma eficiente formação
continuada dos educadores, processo que passa necessariamente pelo tempo
de conhecer bem a criança pequena e segue por alimentar uma atitude de
curiosidade pelo mundo (BEM-VINDO, mundo, 2006).
A
criança é o fator inicial e principal da tarefa de educar que o
profissional docente deve ter em mente. É a partir das especificidades
desse pequeno ser, que o professor acompanhará dia-a-dia a trajetória de
aprendizagem e desenvolvimento da mesma.
A
formação das crianças está ligada ao desenvolvimento físico, cognitivo e
afetivo para que no amanhã sejam adultos críticos e reflexivos frente à
realidade em que se deparará. Porém, esse desenvolvimento se dá desde o
nascimento, abrangendo aspectos dos mais diversos: ambientais, crenças,
status social da família, etc. Por mais que se deseje formar seres
humanos capacitados à leitura diferenciada do mundo, vale lembrar que
quando ainda criança, essas não se desenvolvem de maneira uniforme.
É
preciso ter consciência que criança pensa, investiga, brinca, sente,
pensa e se expressa. Sendo assim, cabe ao professor conhecer cada um de
forma íntegra.
3- A FORMAÇÃO DO EDUCADOR DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Apesar
de alguns graus de dificuldade, descobriu-se que o trabalho com a
infância é determinante para o desenvolvimento integral do ser humano.
Então, a formação dos professores da Educação Infantil hoje é um direito dos próprios professores e também das crianças.
Em
termos de números, há ainda uma parcela de profissionais que atuam nas
pré-escolas com a formação abaixo da desejada: de um total de 309.881
profissionais, também incluindo o meio urbano e rural, são 0,3% (1.173)
com o fundamental incompleto e 1,6% (5.170) com o fundamental completo.
Deve-se
ter em mente que a simples formação oficial não pode e nem deve ser
vista como a única exigência para se tornar professor de educação
infantil. Sabe-se que muitas vezes a prática nos ensina mais que a
teoria. Porém, àqueles que desejam atuar no cuidado e na educação de
crianças precisa manter-se qualificado para tal atividade.
Ser
professor de Educação Infantil diz respeito a todos os profissionais
responsáveis pela educação direta da criança na faixa etária de 0 a 6
anos.
Dos Profissionais da Educação
Art.
62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em
nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em
universidades e institutos superiores de educação, admitida, como
formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e
nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível
médio, na modalidade Normal (LDB 9394/1996).
4- A IMPORTÂNCIA DESSE EDUCADOR
[...]
em toda educação, o que mais marca é, primeiro, o amor; depois, o
exemplo; e, em terceiro lugar, o ensino, seria essencial que o (a)
educador (a) infantil tivesse ilimitado amor a sua profissão e integral condição
de transmiti-la através de seus atos, seus gestos e de suas
intervenções. Que gostasse muito de crianças e que mostrasse
extremamente sensível ao afeto que desperta [...] (ANTUNES, 2006, p.60).
Acreditara-se
que ser educador infantil é uma enorme responsabilidade, ora pois é
através desse que as crianças entram em contato após a família. É na
escola, como um segundo ambiente socializador que a criança começa a
ampliar sua rede de relações e, que através dela e o educador, constrói
conhecimentos significativos a seu modo de perceber a vida.
Já
que a educação deve ser considerada um processo de formação contínua,
pode-se dizer que tal educador, principalmente por estar lidando com os
pequenos, precisa levar muito a sério sua profissão, gostar do que faz e
renovar-se a todo momento, pois ensinar e aprender é fundamental como conceito inicial para esse profissional.
Tal
educador tem que possuir um perfil, no qual acredite na transformação,
que goste de mudança e que para isso seja eternamente curioso.
Quem
dera se todos os profissionais docentes tivessem uma compreensão e
visão homogênea da infância. Talvez seja a multiplicidade de olhares que
tornem o ensino interessante e passível de crescimento. Cada teoria
também produz um tipo de “olhar” sobre a infância, desde os que apenas
acham que ser criança é apenas mais uma de tantas etapas de nossa vida,
até aqueles que procuram na infância toda a origem de quem somos agora.
Sendo
o adulto alguém que a criança instintamente tenta imitar, cabe ao
educador ser possuidor de um carinho imenso com seus alunos, pois é
através de um olhar, do toque que muitas crianças revelam suas emoções
de tristeza e alegria. Primordialmente, além de todo conhecimento que se
tenha a partir da teoria, a prática do educador infantil será grandiosa
quando puder contribuir de forma ativa no crescer e desenvolver de
atitudes de respeito e afeto das crianças.
Ao educador (a) infantil, ANTUNES, Celso (2006) ainda diz:
Que
sejam desafiadores, inquietos, responsáveis e sobretudo estudiosos para
que se mantenham sempre ao lado dos avanços científicos da neurologia,
pedagogia, psicologia e psicopedagogia e que saibam transpor essas
conquistas para sua ação junto às crianças [...];
Que
dominem estratégias de ensino que possibilitem que as crianças ensaiem,
estruturem projetos, façam explorações, elaborem hipóteses, desenvolvam
conjeturas que as ajude a sair do egocentrismo [...], jamais incutindo
conhecimentos, mas intermediando a construção de conceitos e de
significações;
Que
seja um (a) especialista em jogos, mas que os descubra não como
elemento apenas de recreação e lazer, mas como ferramenta usada pela
mente para explorar todas as inteligências e para transformar de forma
significativa a maneira de pensar da criança [...];
Que
seu olhar sobre o desenvolvimento humano não seja de apenas encanto e
jamais de infantilização, mas de integral comprometimento com a
profissão, com as conquistas da ciência e com o trabalho [...].
5- O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Segundo
GIACAGLIA e PENTEADO (2000), a Orientação Educacional é um processo
educativo que se desenvolve paralelamente ao processo de ensino –
aprendizagem. As atividades técnicas desse processo podem ser agrupadas
nas funções de: planejamento, coordenação, avaliação e assessoramento.
Nestas
funções, segundo as autoras, podem ser definidas tanto as atividades
específicas que o Orientador Educacional irá exercer como aquelas que
serão desenvolvidas em parceria com os professores e outros
profissionais.
As
autoras ressaltam, ainda, que o Orientador Educacional participa no
processo do Planejamento Curricular e na sua realização, bem como define
e faz pesquisas, participa na elaboração do plano da escola e elabora o
Plano de Atividades da Orientação Educacional, tendo em vista o
trabalho em conjunto com a Administração Escolar, Supervisão Pedagógica e
outros setores referentes à escola, as atividades em parceria da escola
e da comunidade e as atividades de integração da escola e da família. O
planejamento e a elaboração do plano escolar costumam ocorrer no final
do ano letivo anterior ou no início do ano em questão, dependendo do
calendário de cada escola, e devem contar com a participação de todos os
profissionais que nela atuam.
Participando do planejamento, e da caracterização da escola e da comunidade,
segundo as autoras (2000, p.15), o Orientador pode contribuir para
decisões que se referem ao processo educativo como um todo, visando um
melhor atendimento à educação integral dos alunos.
Segundo
GIACAGLIA e PENTEADO (2000) na coordenação, o Orientador deve
acompanhar o desenvolvimento do Currículo na parte que diz respeito ao
seu setor de trabalho, isto é, possibilitar a elaboração e o
desenvolvimento dos planos de ensino segundo os objetivos da sua área de
trabalho, desenvolver atividades especificas relacionadas ao seu campo,
organizar arquivos de dados pessoais de alunos que sejam necessários
para uma melhor desenvoltura do seu trabalho e desenvolver atividades
educativas (visitas, festas, programas preventivos a saúde, higiene e
segurança, atividades culturais, entre outras).
Na
avaliação, segundo GIACAGLIA e PENTEADO (2000, p. 34), é papel do
orientador educacional, adequar os resultados do processo ensino -
aprendizagem aos objetivos educacionais, identificar com os professores e
com a Supervisão Pedagógica as causas do baixo rendimento escolar dos
educandos, constatar os resultados do plano de atividades do setor ao
qual pertence, esclarecer para a comunidade e, em especial, para os pais
dos alunos, sobre os programas de ensino (o porquê e a importância do
que se foi trabalhado), estabelecer critérios para um bom desempenho dos
outros setores da instituição educacional e obter a produtividade da
escola como um todo e não de uma maneira isolada.
No
assessoramento, o Orientador colabora com a supervisão pedagógica
durante o planejamento e a avaliação das suas atividades e auxilia os
professores na elaboração, na execução e avaliação dos seus programas de
ensino.
CABRAL
e PIMENTA (2005) ressaltam que a Orientação Educacional, no âmbito da
Educação Infantil, pode ocorrer individualmente ou em grupos,
trabalhando questões referentes à formação global do indivíduo, no que
tange às questões de respeito, amor, fraternidade, dignidade,
solidariedade, responsabilidade, ética e outros valores fundamentais e
essenciais, segundo as autoras, para a convivência harmoniosa da pessoa
humana.
Afirmam
ainda, essas autoras, que a Orientação Educacional, na Educação
Infantil, deve buscar a integridade do ser, bem como cooperar com os
professores no sentido da boa execução dos trabalhos escolares
realizados pelos alunos, “buscando imprimir segurança na execução dos
trabalhos complementares e velar para o estudo de forma prazerosa e
constritiva, influenciando-o na preparação para o exercício de cidadão
crítico e participativo”. (2005).
Conforme as autoras a área de atuação do Orientador Educacional na Educação infantil destaca-se:
[...]
através de uma preocupação com o desenvolvimento psicomotor e na
preparação para a alfabetização, desenvolvendo a motivação nos alunos.
Bem como, o Orientador Educacional na Educação Infantil trabalha com os
alunos às questões de socialização, desenvolvimento de habilidades de
convívio, ecologia humana e educação sexual. Assim como desenvolve a
valorização do trabalho docente e com a identificação de profissionais
(CABRAL e PIMENTA, 2005).
6- CONCLUSÃO
“Sabendo-se
hoje que apenas conhecer bem a teoria não conduz a uma mudança na
prática; por outro lado, a prática sem um embasamento teórico não
possibilita a autonomia profissional” [...] (BEM-VINDO, mundo,
2006), o educador proposto a realizar transformações na vida de cada
novo ser, da educação infantil deve prosseguir com sua formação, mesmo
depois de freqüentada a Academia como aluno e a sala de aula como
professor. Ter claro também, que esse trabalho pedagógico, em equipe,
possibilita grandes e novos aprendizados para si e para a renovação de
um cotidiano escolar bem mais construtivo para as crianças. Gostar
apenas não é o principal requisito para se estar nessa profissão e sim, o
pensamento reflexivo sobre o quê e o porquê lidar com esses sujeitos.
Conhecer seus pontos fortes e fracos e fazer desses, meios adequados
para se chegar aos fins. Saber que a criança é um ser em desenvolvimento
com suas particularidades, contribui e muito para uma rica troca de
idéias e (re) construção de saberes entre educador e educando, no âmbito
escolar, o qual nos dias de hoje tem sido o local institucionalizador
de tempo integral em que os pais, por um motivo ou outro transferem
responsabilidades extras para tal.
Talvez,
se pudéssemos avaliar qual a profissão mais importante existente no
mundo, levaríamos horas, dias de discussão, mas chegaríamos a uma
conclusão: todos passam pelas mãos de mestres educadores, alguns se
tornando futuros mestres também.
Que
o papel de educador infantil fortaleça-se cada vez mais, e que esses
sejam os verdadeiros interessados pela busca de um mundo sempre melhor.
Portanto,
assim como no filme Ser e Ter, o papel do professor abrange mais do que
a rotina de sala de aula, mas completa-se pelo cuidado do professor em
relação ao seu aluno. Partindo desta idéia, é possível perceber a
necessidade do professor ter um olhar zeloso sobre a criança, um olhar
que o acompanhe em casa, no pátio da escola, nos corredores da escola e
principalmente dentro da sala de aula. Para tanto, é necessário que haja
envolvimento, afeto, dedicação, pois somente assim formar-se-á cidadãos
mais reflexivos que contribuirão para uma sociedade melhor.
7-REFERÊNCIAS
ANTUNES, Celso. Educação infantil: prioridade imprescindível. Petrópolis: Vozes, 2004.
BEM-VINDO, mundo!: Criança, cultura e formação de educadores. São Paulo: Petrópolis, 2006.
BRASIL. Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional – LDB n º. 9394/96. Brasília: Mec/SEF/COEDI, 1996.
Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 20ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GIACAGLIA Lia Renata Angelini, PENTEADO, Wilma Millan Alves. Orientação educacional na prática: princípios, técnicas, instrumentos. São Paulo, SP: Pioneira Educação, 2000.
CABRAL, Adriana Alvez. PIMENTA, Izabel Nunes. Serviço de Orientação Educacional. disponível em acessado em 15/10/2005.
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